Julián Palomares

Não há espelho que reflita melhor a imagem do homem que suas palavras. (Luis Vives)

Juan Luis Vives foi o maior expoente do Humanismo na Espanha.

Menéndez Pelayo disse dele: “Há dois ou três homens que competem com ele na História da Ciência espanhola, nenhum que o supere.” Devido a sua obra “Anima et vita” (1538) foi considerado o pai da psicologia moderna.

Juan Luis Vives Marc nasceu em Valência no ano de 1493. Sua origem judaica causou uma grande desvantagem ao filósofo, pois os inquisidores perseguiam sua família.

Aos 15 anos de idade começa seus estudos na Universidade de Valência (fundada apenas 5 anos antes). Parte aos 17 anos para estudar em Paris, na Sourbone, onde concluiu seus estudos em 1512, especializando-se em Filosofia e Artes.

Após concluir seus estudos de especialização instalou-se em Brujas, onde conheceu Tomás Moro em 1515. Em 1519 se estabelece em Lovaina para iniciar sua carreira docente na Universidade, onde conhece Erasmo de Rotterdam e tornam-se grandes amigos. Paulatinamente, Vives toma contato com os humanistas mais importantes da sua época, tais como Bude, Juan de Vergara e Tomás Moro.

Em 1522 ministra aulas de ciências humanas e jurisprudência na Universidade de Oxford por indicação de Moro. No entanto, a sombra da desgraça segue presente em sua vida. De Valência chega a notícia que seu pai fora condenado pela Inquisição a morrer na fogueira, como já havia ocorrido em outras ocasiões com seus familiares.

Apesar das dificuldades, Luis Vives se converte em um verdadeiro reformador da educação européia e um filósofo e moralista com visão universal. Seu livro, destinado a ensinar latim aos estudantes, foi editado 65 vezes entre 1538 e 1649. Ao longo de mais de um século serviu como livro texto para toda a Europa.

Propôs a reforma da primeira universidade do mundo, a Sourbone. Depurou sua educação filosófica dando a ela uma qualidade que hoje em dia, cinco séculos depois, faz com que siga sendo uma das mais importantes e prestigiadas.

Vives foi um humanista brilhante e profundo. Tudo o que escreveu deixou em latim: cerca de sessenta títulos. É preciso reconhecer seu trabalho como filólogo. Mas é acima de tudo um pedagogo, um psicólogo, um pensador religioso e um moralista. Como pedagogo, reagiu contra os métodos escolásticos e a dialética especulativa dos professores da Soubone. Insistiu em que o ensinamento deve realizar-se de acordo com a personalidade e a natureza do aluno.

O importante em Vives é sua preocupação por aqueles aspectos mais imediatos da realidade humana, com um profundo conhecimento do homem e da história. Um exemplo da sua sabedoria, um texto muito interessante para aplicar na crítica dos excessos consumistas da sociedade atual:

As coisas das quais temos necessidade, a natureza nos mostra e ensina que são muito poucas e colocadas à mão, que facilmente se alcançam. A necessidade ou falta de entendimento inventa coisas excedentes e supérfluas. Se dás à Natureza o que ela tem necessidade, se alegra e se esforça; com o excedente se enfraquece e aflige, como se de coisa alheia se tratasse.

O apetite desordenado que procede do pouco saber e de falsas opiniões, não se preenche nem farta com as coisas necessárias; e as supérfluas antes molestam que satisfazem. (Juan Luis Vives. Introdução à Sabedoria. Brujas, 1546 Cap. IV)

Desde 1529 sua saúde era muito delicada, com dores de cabeça e úlcera estomacal. Sua artrite degenerou em fortes dores e por fim no dia 6 de maio de 1649, em Brujas, ficou doente de gota e devido a um cálculo biliar faleceu.

Nos despediremos de nosso protagonista com suas próprias palavras: “A ditatura da ignorância é a mais dura e mais lúgubre das escravidões.”

Autor

Revista Esfinge